Estou cansada. Viver é muito cansativo. Vez ou outra, quando acordo pra realidade (minha realidade), lembro que não estou vivendo MINHA VIDA. Só vivo de acordo com as consequências e circunstâncias. Estou deixando o rio me levar. Ainda nem descobri quem sou, nem o que eu tenho que fazer. Aliás, o que eu TENHO que fazer eu sei. Mas não sou capaz. Ponto. Não estou sendo capaz. Não estou conseguindo. Nem sinto vontade de fazer. Sou uma miserável egoísta, pois não consigo me anular mais do que já me anulei todos esses anos, pra me doar e me dedicar aos que convivem comigo, ao meu lar. Eu não posso falar isso com ninguém, pois ninguém iria me entender e nem muito menos concordar comigo. Iria simplesmente começar a comparar a minha vida com a de outras pessoas que vivem pior que eu, sem casa, comida, família, saúde etc. (Blá blá blá) É a mesma coisa, sempre. Mas a questão não é essa. É que eu, aquela lá atrás, antes de tudo isso, se perdeu. Eu não existo. Simplesmente. Sou só o que convinha ser. A mãe e esposa, dona de casa que cuida do lar. E me sinto egoísta sim, em pensar que tudo isso me sufocou, me afogou, que eu tento sair e respirar e simplesmente eles me puxam de volta e me mantém ali dentro. Me sinto egoísta em sentir assim, pois a pressão lá fora é grande. Pq todos dizem que: fui eu que ESCOLHI, que são CONSEQUÊNCIAS das minhas ESCOLHAS. Então sou uma refém de mim mesma. Sou um ser indefinido por minhas escolhas. Me sinto mal por pensar isso tbm, pois os filhos que coloquei no mundo são os maiores motivos dessa indefinição. Pois eu simplesmente vivo para eles. E nisso, eu me perdi. Eu não existi. Eu deixei de ser oq sou, deixei de agir segundo a minha essência (na verdade nem sei mais qual é), não posso agir segundo o meu jeito de ser (tbm não sei mais qual é). Pois tenho filhos, devo me portar como manda o figurino. Não posso ser eu mesma, pois muitas das coisas que eu mesma faria, falaria, vestiria, meu esposo e a sociedade em geral, não admitiriam uma mãe de família fazer, falar, vestir. Sou só a mãe dos meus filhos, não sou ÚRSULA. Essa garota se perdeu lá atrás, quando decidiu que era hora de começar um lar, aos 18 anos de idade, junto com seu namorado. Muita empolgação em fazer as coisas do meu próprio jeito. E acabou sendo exatamente o CONTRÁRIO! Eu simplesmente perdi o controle de tudo. Eu não tinha ideia de como era, eu fui só uma garota ingênua e cheia de VIAGENS na cabeça. Bem fora da realidade mesmo. A liberdade de sequer me vestir como sempre gostei, perdi, pois tudo é para o sustento do lar, não sobra nada. Exatamente nada. Só vesti o que aparecia, o que chegava até mim. E sempre tive que simplesmente ficar feliz com isso, afinal, não estava nua. Falando em nua, não consigo nem falar sobre meu corpo. Eu não vou escrever sobre esse assunto aqui. Não iria dar certo. Minhas músicas, minhas preferências em geral, são analisadas, criticadas, aquela liberdade de ser quem vc realmente é, não existe. Há dias, semanas, meses, quero externar tudo isso, fico com tudo na ponta da língua, mas sinto que se eu falar, serão milhares de pedras nas mãos, olhares distorcidos, caras feias e a incompreensão de sempre. Aquela veeelhaaaa vontade vive aqui, vagando na minha cabeça. Dou uma olhada nos comprimidos, fico pensando em como fazer (outras formas de fazer). Aí me vem a mente, as pessoas que iriam ficar e que me amam, aí desisto. Mas tbm penso que o tempo cura, q elas iriam viver suas vidas, pois é isso que se faz quando alguém que se ama, parte. O tempo. O tempo ajuda, mas no meu caso está destruindo. O tempo está passando pra mim. O tempo passou e eu estou aqui, parada. E sem nem saber quem sou. Perdida, sem poder fazer nada. Só empurrar com a barriga, como venho fazendo todo esse tempo. E as vezes que tentei nadar, que tentei mudar o curso desse rio, não consegui, as circunstâncias que me rodeiam sempre vencem. Hehe São 3 faculdades interrompidas. São 3 possíveis chances de eu sair desse modo casulo o qual vivo todos esses anos. São tantas coisas que passam pela minha cabeça, SEMPRE. Sobre como estaria minha vida, se eu tivesse seguido os conselhos e direcionamentos dos adultos q estavam lá, dispostos a investir em mim. Nos meus talentos, na minha capacidade, no meu FUTURO. Isso não definiria quem eu iria ser, não mexeria na minha essência, não me impediriam de ser quem eu era. Pois seria só eu e eu, no final. Aí vc se pergunta: "isso é uma mãe e esposa, que formou uma família linda, falando?" Pois é, sim! Mas antes de tudo isso, sou um ser humano, chamado Úrsula. E o fato de vc se fazer essa pergunta só mostra o quanto isso não importa, o quanto eu realmente não existo. O quanto oq importa é a função social, o status e não o SER, a ESSÊNCIA. O indivíduo. O que importa são as funções que eu exerço, e não quem EU sou. Nem muito menos o que sinto. Haha
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Hoje eu fiquei a um "triz" de ir lá e tomar vários e vários comprimidos. Vontade não me faltou. Nunca falta, na verdade. Rs
Mas eu vou continuar nessa jornada de empurrar com a barriga. Viver conforme o que vai me aparecendo pela frente. Sem poder fazer nada pra ser eu mesma. Mãos atadas e amordaçada. Veremos no que vai dar (ou tbm pode não dar em nada, né?!).
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