domingo, 5 de janeiro de 2020

C i g a r r a


Não foi à toa que sonhei com ela. Eu sei. 
A compreendo. Me identifico.
Intensa.
Barulhenta demais. 
Irritante demais. 

Será que também viverei pouco como ela?

Mas, por que ela estava morta e desintegrada na minha cabeça, enroscada em meus cabelos?

Acho que morrerei sem saber o significado real desse sonho. 

"podem viver anos, às vezes 2, às vezes 17 anos debaixo da terra, numa vida que consiste em apenas sugar a seiva das raízes que a cercam."

"Mas quando chega a hora de se transformar num adulto, tudo muda. Na fase adulta ela tem a oportunidade de voar, cruzar os céus, enfrentar a liberdade da vida em todo o seu fulgor. Mas nada é de graça. Essa vida dura não durará mais do que um singelo mês. Além disso, há perigos por toda parte"

"O pouco tempo de vida das cigarras adultas faz com que elas tenham que agir rápida e assertivamente"

"colocam as cigarras injustamente como insetos preguiçosos."

"por serem barulhentas e irritantes. Não é fácil ser uma cigarra."

"O céu azul pálido sustenta gordas nuvens de barriga magenta no final do crepúsculo, e aos poucos os troncos e as folhas se tingem de negro, restando-lhes apenas as silhuetas e uma atmosfera surrealista. Vênus aparece solitário e brilhante, dando início a mais uma noite quente de verão. 
As cigarras estão a pleno vapor gritando loucamente..." (por algo)

Ainda "debaixo da terra" estou eu, só sugando a seiva, no 15° ano da fase de ninfa. Estou chegando perto da transformação para a fase adulta.
Irei voar, cruzarei os céus, enfrentarei a liberdade da vida.
Será que tudo isso também durará tão pouco quanto na vida da cigarra?
(sempre carrego comigo a impressão e a sensação de que sim).
Afinal, existem os perigos por toda parte.
Precisarei agir rapidamente, intensamente e terei que acertar! 
Passarei por aqui sem ter muita compreensão por parte da maioria esmagadora das pessoas. Afinal, passei maior parte da minha vida "parada", sem trabalhar (igualzinha a cigarra da parábola). Preguiçosa!
Também sou/fui barulhenta e irritante. Não é/foi fácil ser eu.
Pode ser que eu me vá por esta hora. Aquela hora que tanto tenho apreço. 
Quando o sol já se foi e resta só sua luz à distância, atingindo as nuvens e dando o tom descrito tão lindamente acima, pelo zoólogo. E que as árvores realmente ficam negras e mostram somente suas silhuetas. É nessa hora. Será nessa hora. Naquela hora. Aquela que tanto amo. E faço questão de gritar aos quatro cantos do mundo, isso. 
E é gritando (POR ALGO) que findo-me. Assim como a cigarra incompreendida e mal interpretada por toda sua curta e intensa vida.



Luta de vida e morte de uma cigarra.



Depois que sonhei tirando a cigarra desintegrada no meu cabelo, fui pesquisar significados e descobri o quão é dura, sofrida, incompreendida e repleta de METAMORFOSE, a vida (e morte) desse inseto tão singular. E senti que valia à pena compartilhar esse texto tão sensível e poético, o qual retrata lindamente essa luta de vida e morte.

"Sob um céu comandado por Vênus procuro por buracos na superfície da terra nua, perfeitamente redondos, com cerca de um centímetro de diâmetro. Nestes dias após o equinócio da primavera, as primeiras chuvas umedecem o solo que estava seco e o aumento da temperatura despertam as ninfas das cigarras que estavam vivendo dentro da terra, em estado quase letárgico, a sugar a seiva das raízes das árvores.
Essas ninfas, de carapaça dura, ou, como preferem os entomólogos, de exoesqueleto duro, cavam túneis que as levam à superfície. Esses pequenos buracos são a saída final para um mundo completamente novo a ser descoberto. No entanto, as ninfas só saem à noite, quando seus predadores dormem sobre os galhos daquelas mesmas árvores. É aí que começa o espetáculo.
As ninfas se deslocam lentamente, como velhos tanques de guerra aposentados da primeira guerra, e com o auxílio de poderosas pernas anteriores, repletas de espinhos, sobem a primeira superfície vertical que encontram, seja o tronco de uma árvore, seja uma parede bem rebocada. Após uma longa, lenta e cansativa escalada de alguns centímetros, às vezes até dois metros, as ninfas param. Ficam ali, penduradas ao léu, estáticas. Pouco a pouco, e magicamente, uma fenda aparece ao longo das costas da ninfa, e por ali vai emergindo o indivíduo adulto. Primeiro surge a cabeça com os enormes olhos que brilham à luz da minha pobre lanterna. Depois parece que o corpo mole do adulto escorrega vagarosamente pelo exoesqueleto até liberar as pernas. Finalmente, já fora da carapaça, mas agarrado a ela, as asas começam a inflar até se formarem completamente.
Todo esse processo pode durar horas, e é chamado de metamorfose incompleta, que é o termo que se usa quando a ninfa é muito parecida ao adulto, mas sem asas e sem órgãos reprodutivos maduros. Isso é diferente da conhecida metamorfose completa típica das borboletas, quando existe uma forma larval e um estágio de pupa, totalmente diferentes do adulto. Lá está a cigarra adulta, sob o mesmo céu escuro iluminado por Vênus.
Mas é durante o alvorecer do dia, e quando o sol está a pino e também na boca da noite que sentimos a presença destes adultos. Em todo o centro sul-sudeste do Brasil, nos meses de dias quentes de outubro e novembro, os machos das cigarras adultas emitem seus vigorosos e, para alguns, estridentes, cantos nupciais. Geralmente, a espécie que associamos a este canto é a cigarra-gigante (Quesada gigas), mas na realidade, existem muitas espécies de cigarras e cada uma com seu canto característico. Esse canto é feito por um par de estruturas abdominais chamadas tímbales, que é uma placa estriada situada em uma membrana. Internamente a essa estrutura há um saco aéreo traqueal que funciona como uma câmara de ressonância.
O som de algumas destas espécies pode atingir até 120 decibéis, o que já é classificado na faixa de som ensurdecedor. Para termos uma ideia, é comparável ao barulho do decolar de um avião de grande porte. O ruído de um trânsito de carros numa avenida movimentada chega a 80 decibéis.
Mas o som destas cigarras não é privilégio das regiões tropicais. Na região do Mediterrâneo, milhões destes seres surgem nos meses de verão boreal, junho, julho e agosto. Lá costumam cantar nas horas mais quentes do dia, e o canto é tão alto que a maioria das espécies de aves se cala durante estas horas. É que o canto daquelas cigarras simplesmente as ensurdece. Este fenômeno é chamado de mascaramento, ou seja, quando um som se sobrepõe a todos os outros. Imagine-se num ambiente fechado com o show de uma banda muito barulhenta. Lá dentro, o som ambiente simplesmente impede a comunicação entre as pessoas. Lá dentro, você tem que gritar para ser ouvido. No caso do Mediterrâneo, as aves não se engajam nesta atividade que demanda muita energia, o grito, e, portanto, simplesmente se calam.
Na verdade os machos das cigarras têm pouco tempo de vida. Na fase de ninfa elas podem viver anos, às vezes 2, às vezes 17 anos debaixo da terra, numa vida que consiste em apenas sugar a seiva das raízes que a cercam. Mas quando chega a hora de se transformar num adulto, tudo muda. Na fase adulta ela tem a oportunidade de voar, cruzar os céus, enfrentar a liberdade da vida em todo o seu fulgor. Mas nada é de graça. Essa vida dura não mais do que um singelo mês. Além disso, há perigos por toda parte, e o maior deles são os predadores. Entre estes, as aves são os mais vorazes.
O pouco tempo de vida das cigarras adultas faz com que elas tenham que agir rápida e assertivamente. Precisam atrair uma fêmea o mais rápido possível, antes que um desses predadores vorazes a transformem em refeição. Assim, cantam o mais alto possível durante o máximo de tempo possível. É um jogo perigoso, mas inexorável. Além de tentar atrair uma parceira, os pobres machos precisam ficar em constante estado de alerta. Não há estresse maior do que esse.
Esopo e La Fontaine colocam as cigarras injustamente como insetos preguiçosos. Na agricultura, a cigarra é considerada uma praga, seja porque as ninfas diminuem o fluxo de seiva nas raízes, seja porque aumentam a inoculação de potenciais patógenos à planta, ou porque os adultos necessitam danificar as folhas ou galhos finos para depositar seus ovos. Agora, os cidadãos urbanos pedem a cabeça das cigarras por serem barulhentas e irritantes. Não é fácil ser uma cigarra. Mas o que seria da vida destas belas aves predadoras que tanto queremos preservar e tanto queremos que continuem gorjeando sobre nossas palmeiras se essas criaturas tão estranhas, e para alguns irritantes, fossem eliminadas?
Volto ao jardim. O céu azul pálido sustenta gordas nuvens de barriga magenta no final do crepúsculo, e aos poucos os troncos e as folhas se tingem de negro, restando-lhes apenas as silhuetas e uma atmosfera surrealista. Vênus aparece solitário e brilhante, dando início a mais uma noite quente de verão. As cigarras estão a pleno vapor gritando loucamente pelas amadas, futuras mães de sua prole".

Marcos Rodrigues
Doutor em zoologia pela Universidade de Oxford (UK).

sexta-feira, 15 de março de 2019

Carta "não lida".

"2 de março, de 2019.

É sério quando vc fala que poderei ir mesmo? Tudo bem se eu for?

E como seria? Eu não tenho nada... Não sei fazer nada. Eu preciso aprender a ser uma adulta normal, aos 32 anos de idade. Você me sustentaria até eu conseguir minha independência? Uma vez (há poucos dias)vc me disse que sim.

Bom. Eu realmente sinto que devo sair de dentro desta casa. (Tô prendendo o choro aqui, pra *** ou *** não ficarem me perguntando o que foi)

Eu não estou feliz dentro deste lar. Eu não me vejo (não me enxergo) nele. Eu não sei quem eu sou. Preciso descobrir. Preciso sair do convívio de quem tanto amo e parar de ferí-las. Eu não presto, ***. Não sou gente boa. Eu tenho que ficar fingindo ser boazinha pra poder formar esses seres humanos, que colocamos no mundo, em pessoas boas. Mas é difícil manter isso por taanto tempo. Tanto que vez ou outra (aliás, quase sempre, coloco minhas garras pra fora) e vcs se machucam. E eu fico mal por machucar vcs. 

Eu preciso sair de perto de vcs. Não quero destruir tudo. Eu não sei lidar. Eu não consegui evoluir. Me desculpa. 

Melhor ter momentos bons com vcs, ser alguém melhor pra vcs, e não morar no mesmo lugar, do que viver 24 horas e ser um monstro.

Quem sabe eu me torne alguém melhor de verdade, com esse distanciamento? Com o fato de eu me tornar alguém que saiba andar com as próprias pernas? Pq sinceramente, eu não sei quem eu sou! Eu não sei viver (deve ser por isso que a vontade de morrer sempre está presente). 

Eu sinto dentro de mim, que PRECISO me encontrar, ***. Eu preciso sair e aprender a andar sozinha. E ser alguém melhor pra essas crianças. E isso está muito forte dentro de mim.

Eu não estou do jeito que eu deveria estar. Eu não sou boa pra eles. Nem pra ninguém. Eu preciso aprender .

E onde estou não irei aprender nunca. Pois só piora. E como vemos, não deu jeito. Então precisa de mudança. E mudança drástica.

E como toda mudança drástica, há também muita dor. Mas se essa dor se transformar em vitória depois, tudo bem. 

Eu sei muito bem que eu eu vou sofrer toneladas de dores emocionais e sentimentais se eu sair de casa. Inclusive muita culpa. Mas eu sei que eu preciso disso.

Eu sei que é melhor ficar sem mim, pelo menos por um tempo. Seja lá quanto tempo. O NECESSÁRIO.

PELO AMOR DE DEUS. COMPREENDA CADA LETRA ESCRITA AQUI. NÃO ME JULGUE. Pelo menos uma vez!!! Não me critique! Eu imploro. 

Eu te amo. Mas preciso tentar ser alguém. Não falo isso só pelo financeiro não. Aliás, isso é o de menos. Eu preciso sair desse convívio tóxico. Eu sou a causa da intoxicação. Deixo bem claro. Mas eu tbm me sinto mal por não ter saída. E uma atitude drástica dessa, precisa ser tomada pra que haja a mudança. E eu "tome jeito". Aprender o que é a vida realmente. 

Eu não sei se vou aguentar...
Se vou conseguir levar pra frente. E realmente conseguir me encontrar. Até pq a única forma de vida que conheço é a que tenho no momento: A DEPENDENTE DE VOCÊ (sentimentalmente, emocionalmente, principalmente). Mas preciso tentar.

Da sua ***."

.........E fingiu que não leu........
......... Continuou a vida como se NUNCA tivesse lido essas palavras.........

"Cai fora!"

"Vai acabar sozinha na vida."

Essa frase escuto desde a minha adolescência. Mas não pela mesma pessoa. São várias. O que será que isso significa?

São MUITOS anos de distância entre a primeira vez que escutei e o atual momento, onde AINDA ESCUTO, vez ou outra.

Já falei aqui antes: não sou boa e não sou flor que se cheire. E que o Criador me fez colocar esses seres aqui na Terra, primeiro para ME FREAR, segundo, para eu deixar aqui na Terra, pessoas melhores que eu. Tipo frutos mesmo. Sementes.
Porque a minha (semente) veio podre, com defeito. Então precisou-se desse renovo, dessa PURIFICAÇÃO, através deles.

Mas o que eu temo é que eu venha a estragar tudo, no decorrer do tempo. Que nos episódios em que o MEU EU vem pra fora, algo (mais sério) aconteça, algum dia. E a sensação de querer ir pra longe deles, para não magoá-los (mais), sempre aparece.

Todo mundo me elogia pelo meu desempenho como mãe, o quanto fui e sou responsável. "Tão nova!" Eles falam. Mas nem sabem o quanto eu NÃO cresci. O quanto eu odeio responsabilidades, e que eu apenas faço O QUE DEVE SER FEITO. E que na verdade, eu não queria fazer. Mas já expus isso antes nas minhas redes sociais: "DETESTO RESPONSABILIDADES, MAS SOU RESPONSÁVEL". Isso não é segredo (pra quem presta atenção em mim, não).

É, creio que eles (filhos) e aquela vontade louca de ser mãe, no final da adolescência, vieram pra isso mesmo: ME DOMAR.

Quando falam da IMPORTÂNCIA de filhos na vida de alguém, tenho total NOÇÃO disso. Pois quando se é mãe, você realmente NÃO PODE mais ser quem você é, na essência (tem que deixar trancado, lá dentro). E se a sua é ruim e antissocial, aí pode ter certeza de que é decreto de "ferida que não para de sangrar" pro resto da vida.

Eu achava que a cura viria. Que o tempo curava tudo. Que quando a gente "cresce", muda. Mas esqueci que somos espírito, e ele não envelhece. E o meu espírito feio e mau, veio num corpo de uma garota baixinha e fofinha. 🤦🏼‍♀️Puts!  Que ironia. E o pior é que eu AMO ironia. Tá aí. Deve ser parte dos ingredientes então. Hehehe Sou a ironia em pessoa!  Ironia ambulante.

Uso a ironia constantemente, em tudo na minha vida. Em todas as áreas. E por causa desse fato, acumulo discussões, sentimentos ruins das pessoas por mim, mal entendidos, mal julgamentos etc. E o ciclo de destruição se reinicia. Ciclos de desgastes. De decepções. Tudo surge, geralmente, da ironia. Leia-se SARCASMO.

"Você é uma pessoa altamente pessimista"! "Se for pra ser assim, caia fora"! "Vai acabar sozinha na vida".

Coisas que sempre escuto. Entre tantas outras. Sobre quem sou. Sobre o que transmito. Viu? Como falei acima: não sou boa, nem flor que se cheire. Se me cheirar, vai sentir só o FEL. Pode até se envenenar. Eu realmente faço as pessoas ao meu redor sofrerem. Sentirem o amargor em suas gargantas, que inclusive, elas têm que engolir, porque simplesmente me amam.



sexta-feira, 8 de março de 2019

Aqui posso ser eu. Ufa!

Sempre é para as mulheres que trabalham, que estudam, conquistam o mundo afora e são ativas na renda familiar, que correm atrás dos seus sonhos etc.

Nunca é para a mulher que DEIXA de fazer tudo isso acima, para viver em função da família. Que deixa de ser quem é ou quem sonhava em ser, para poder cuidar dos seus. Os parabéns nunca são pra "essas" mulheres, já percebi isso!

Essa que se ANULA por eles, que esquece até de quais eram seus sonhos, que até deixa de sonhar, na verdade. Ela simplesmente nem sabe como o fazer, porque são tantos anos se anulando, que até perde o jeito.

Nem sua identidade tem mais! Sua forma de se expressar, de se vestir, nada mais. Porque ela só viveu pra eles.

Elas são tão anuladas, que os parabéns nunca vão pra elas. E sim, para aquelas que estão a frente, nos holofotes!!! As que chamam a atenção pelas suas conquistas! As desbravadoras!!! "Que vão a luta!" Não é assim?

Na verdade, essas mulheres que SE ANULAM para cuidar dos seus, são mal vistas pela GRANDE maioria. São tidas como inferiores, que não têm coragem, têm preguiça, são submissas, não tem vergonha na cara etc.

Mal sabem essas pessoas o quanto dolorido é deixar de ser você mesma, deixar de viver a SUA VIDA, seus anseios, para se dedicar exclusivamente a sua família. Quanta luta se passa INTERNAMENTE (sim, pq nem chorar ela pode, pois sempre está dentro de casa, e alguém pode ver e vai logo perguntar o que foi), quanta culpa carrega por muitas vezes ser ríspida com quem mais ama, por estar em dias ruins.

Ela tem que ser impecável nas suas atitudes! Tem que ser durona pra não perder a moral, tem que ser muito carinhosa para sua família não se sentir magoada, tem que dar bom exemplo o tempo todo, pois seus filhos estão ali com ela 24h por dia. Não pode vacilar. E se vacilar, os dedos, as mãos, os corpos inteiros, JULGADORES, vêm pra cima, apontando pra ela! E como vêm!!!

Aí vem aquele sentimento de culpa e de que é uma mãe e mulher que não presta. Que está fazendo tudo errado. Que seus filhos vão se traumatizar ou não serão pessoas equilibradas (assim como ela não é).

Ela faz o melhor que pode. Até o que está fora do seu alcance, deixa de SER para DAR! Mas parece que NUNCA é o suficiente! Sempre é exigido muito mais! E isso é desgastante, fere muito. Dói muito!

E no dia das mulheres isso tudo está lá, debaixo do tapete, abafado. Ninguém vê.

Só se vê as que estão na rua "batalhando" pelos "seus direitos". As que estão a frente do lares, as que conquistaram "seu lugar" no mercado de trabalho. As que acumulam diplomas, certificados e títulos!

Feliz dia!
Feliz?
Será?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Se eu te amasse

Não teria nada para eu temer
Eu poderia andar em vales

Mas eu não te amo, não como eu quero
E isso torna tudo difícil
Todas as manhãs, eu vejo como você me olha

Você ganharia bem e viria para casa cedo

Nós teríamos filhos, e eles seriam tão lindos

E nós os criaríamos e tudo estaria certo

Mas eu não te amo, não como você precisa
E quando eu te beijo, eu sei que você pode sentir isso
E eu vejo isso nos seus olhos, e isso parte meu coração

Eu queria poder mudar isso
Sempre terei esses arrependimentos e dúvidas
O que mais eu podia ter feito?

Porque se eu te amasse
Eu faria de você a luz do meu mundo

Mas eu não te amo, por mais que eu queira
Eu não te amo

Não!

Seria uma mentira
E você merece amor, você é melhor que um "bom dia"
E você vai encontrá-lo, mas não nos meus olhos
Porque isso não está aqui

E isso parte meu coração


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Tem título não.

Estou cansada. Viver é muito cansativo. Vez ou outra, quando acordo pra realidade (minha realidade), lembro que não estou vivendo MINHA VIDA. Só vivo de acordo com as consequências e circunstâncias. Estou deixando o rio me levar. Ainda nem descobri quem sou, nem o que eu tenho que fazer. Aliás, o que eu TENHO que fazer eu sei. Mas não sou capaz. Ponto. Não estou sendo capaz. Não estou conseguindo. Nem sinto vontade de fazer. Sou uma miserável egoísta, pois não consigo me anular mais do que já me anulei todos esses anos, pra me doar e me dedicar aos que convivem comigo, ao meu lar. Eu não posso falar isso com ninguém, pois ninguém iria me entender e nem muito menos concordar comigo. Iria simplesmente começar a comparar a minha vida com a de outras pessoas que vivem pior que eu, sem casa, comida, família, saúde etc. (Blá blá blá) É a mesma coisa, sempre. Mas a questão não é essa. É que eu, aquela lá atrás, antes de tudo isso, se perdeu. Eu não existo. Simplesmente. Sou só o que convinha ser. A mãe e esposa, dona de casa que cuida do lar. E me sinto egoísta sim, em pensar que tudo isso me sufocou, me afogou, que eu tento sair e respirar e simplesmente eles me puxam de volta e me mantém ali dentro. Me sinto egoísta em sentir assim, pois a pressão lá fora é grande. Pq todos dizem que: fui eu que ESCOLHI, que são CONSEQUÊNCIAS das minhas ESCOLHAS. Então sou uma refém de mim mesma. Sou um ser indefinido por minhas escolhas. Me sinto mal por pensar isso tbm, pois os filhos que coloquei no mundo são os maiores motivos dessa indefinição. Pois eu simplesmente vivo para eles. E nisso, eu me perdi. Eu não existi. Eu deixei de ser oq sou, deixei de agir segundo a minha essência (na verdade nem sei mais qual é), não posso agir segundo o meu jeito de ser (tbm não sei mais qual é). Pois tenho filhos, devo me portar como manda o figurino. Não posso ser eu mesma, pois muitas das coisas que eu mesma faria, falaria, vestiria, meu esposo e a sociedade em geral, não admitiriam uma mãe de família fazer, falar, vestir. Sou só a mãe dos meus filhos, não sou ÚRSULA. Essa garota se perdeu lá atrás, quando decidiu que era hora de começar um lar, aos 18 anos de idade, junto com seu namorado. Muita empolgação em fazer as coisas do meu próprio jeito. E acabou sendo exatamente o CONTRÁRIO! Eu simplesmente perdi o controle de tudo. Eu não tinha ideia de como era, eu fui só uma garota ingênua e cheia de VIAGENS na cabeça. Bem fora da realidade mesmo.  A liberdade de sequer me vestir como sempre gostei, perdi, pois tudo é para o sustento do lar, não sobra nada. Exatamente nada. Só vesti o que aparecia, o que chegava até mim. E sempre tive que simplesmente ficar feliz com isso, afinal, não estava nua. Falando em nua, não consigo nem falar sobre meu corpo. Eu não vou escrever sobre esse assunto aqui. Não iria dar certo. Minhas músicas, minhas preferências em geral, são analisadas, criticadas, aquela liberdade de ser quem vc realmente é, não existe. Há dias, semanas, meses, quero externar tudo isso, fico com tudo na ponta da língua, mas sinto que se eu falar, serão milhares de pedras nas mãos, olhares distorcidos, caras feias e a incompreensão de sempre. Aquela veeelhaaaa vontade vive aqui, vagando na minha cabeça. Dou uma olhada nos comprimidos, fico pensando em como fazer (outras formas de fazer). Aí me vem a mente, as pessoas que iriam ficar e que me amam, aí desisto. Mas tbm penso que o tempo cura, q elas iriam viver suas vidas, pois é isso que se faz quando alguém que se ama, parte. O tempo. O tempo ajuda, mas no meu caso está destruindo. O tempo está passando pra mim. O tempo passou e eu estou aqui, parada. E sem nem saber quem sou. Perdida, sem poder fazer nada. Só empurrar com a barriga, como venho fazendo todo esse tempo. E as vezes que tentei nadar, que tentei mudar o curso desse rio, não consegui, as circunstâncias que me rodeiam sempre vencem. Hehe São 3 faculdades interrompidas. São 3 possíveis chances de eu sair desse modo casulo o qual vivo todos esses anos. São tantas coisas que passam pela minha cabeça, SEMPRE. Sobre como estaria minha vida, se eu tivesse seguido os conselhos e direcionamentos dos adultos q estavam lá, dispostos a investir em mim. Nos meus talentos, na minha capacidade, no meu FUTURO. Isso não definiria quem eu iria ser, não mexeria na minha essência, não me impediriam de ser quem eu era. Pois seria só eu e eu, no final. Aí vc se pergunta: "isso é uma mãe e esposa, que formou uma família linda, falando?" Pois é, sim! Mas antes de tudo isso, sou um ser humano, chamado Úrsula. E o fato de vc se fazer essa pergunta só mostra o quanto isso não importa, o quanto eu realmente não existo. O quanto oq importa é a função social, o status e não o SER, a ESSÊNCIA. O indivíduo. O que importa são as funções que eu exerço, e não quem EU sou. Nem muito menos o que sinto. Haha
.
Hoje eu fiquei a um "triz" de ir lá e tomar vários e vários comprimidos. Vontade não me faltou. Nunca falta, na verdade. Rs

Mas eu vou continuar nessa jornada de empurrar com a barriga. Viver conforme o que vai me aparecendo pela frente. Sem poder fazer nada pra ser eu mesma. Mãos atadas e amordaçada. Veremos no que vai dar (ou tbm pode não dar em nada, né?!).